Estava escrevendo um texto para minha amada e resolvi publica-lo aqui... (um pouco modificado)... quero passar a idéia apenas.
Me inspirei em escrever isso depois de ler um texto que ela escreveu. E tbm pq lembrei de uns caras muito idiotas que tem aqui no bairro, que outro dia ficaram enchendo nosso saco e falando bosta.
Me irrito com essa sociedade hipócrita e mesquinha. Mas penso que se esconder é pior. E tenho várias justificativas. A primeira delas é que nos escondendo estaremos nos reprimindo. E pra quê? E por quê? Não ganhamos nada de bom com isso, só os outros. (Porque pra eles é muito cômodo não ter nenhum diferente em seu meio). E por quê esses outros merecem alguma coisa? Essas pessoas que nos incomodam não merecem nada, porque não sabem respeitar. Pode reparar... quem tem um pouco mais de cabeça nem se “abala” se estamos de mãos dadas ou não, se nos beijamos em público ou não. Porque ser gay não é um crime, não é uma anomalia, não é uma doença (muito menos contagiosa). Somos pura e simplesmente diferentes. E não há nenhuma dificuldade em respeitar o diferente, seja no aspecto que for. Portanto, concluo que as pessoas de uma forma ou de outra tem que entender isso. E o ser humano, embora não pareça, tem sim uma certa facilidade para evoluir. À medida que uma coisa passa a ser cotidiana na vida das pessoas, as mesmas tendem a se acostumar com aquilo até que possam de vez entender o porquê do mesmo.
Se não fosse pela força de vontade, a luta, o famoso “dar a cara pra bater”, enfrentar mesmo tudo e todos, as mulheres não teriam o espaço que tem hoje nessa mesma sociedade que falamos. E veja, por vezes ou outras ainda temos que tomar a frente quando algum machista faz um comentário infeliz. Temos que novamente impor respeito e se mostrar de igual para igual.
Nossa luta por ser gay é a mesma, meu amor. Não podemos nos esconder, não podemos deixar que transformem ou acabem de transformar nossa imagem em decadência humana. Comparações com atitudes sujas, escrotas, grotescas, nojentas... enfim. CHEGA! Tem que existir os que têm coragem! E nós temos!
Sei lá... gostei da minha reflexão. Finalmente volto a escrever sobre coisas interessantes.
É isso!
Escrito por Pinky às 22h54
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Texto fantástico!
Alfredo e Gisele
- Sora vê, daqui do táxi a gente sabe é cada coisa... Sabe e aprende, aprende até a não ter preconceito. Outro dia peguei um casal assim já de meia-idade, bem apessoado, lá no Centro, no Teatro Municipal. Eles tinham ido vê uma tal de uma Ópera, sei lá. Já eram umas 11 e meia da noite, a gente veio bem até o Aterro, entramos em Botafogo e o trânsito emperrou. A mulher já azedou na hora e foi falando para o marido:
- Que trânsito é esse, quase meia-noite? Não é esquisito, Alfredo? E o tal do Alfredo parecia um homem rico, mas não era fino, sabe? E não gostava mais dela, eu acho. O cara era uma múmia. A resposta dele pras conversas da mulher tavam mais pra rosnado, sabe?
- Alfredo, isso não é um absurdo? Nós aqui parados num trânsito quase de madrugada, não entendo, é estranho, hoje é sábado. Será que é algum acidente, Alfredo?
Como o homem não dizia nada, aí e eu interrompi:
- Com todo respeito, sabe o que é isso, madama? Simplesmente aqui virou um lugar só de "homensexuais" e mulher sapatona. É cheio de barzinho deles, a rua toda. Fim de semana ferve. Quem quiser ver homem beijando homem e mulher se esfregando em mulher, é aqui mesmo.
- Você tá ouvindo, Alfredo? Meu Deus, eles agora têm até bar pra eles, até rua!? Não é um absurdo, Alfredo?
-Ô, Onça, cê me conhece, sabe bem como é que eu sou. Pra mim isso se resolve é na porrada. Se eu sou o pai, desço do carro e não quero nem saber o que é que entortou, o que é que virou, não quero saber o que é cu e o que é fechadura, baixo o sarrafo na cambada! Eu, com sem-vergonhice, o sangue sobe, eu viro bicho.
- Pára de falar essas palavras de baixo calão, Alfredo. Hum! Fica de gracinha que a pressão vai lá nos Alpes, você sabe muito bem o que é que o médico falou..., não é, motorista? Alfredo não é muito esquentado? Eu dei o meu pitaco:
- É, madame, o negócio que ele tá falando é como eu vi no filme. Uma metáfora. Ele não vai bater, vai só ficar zangado.
- E o senhor sabe o que é metáfora? O senhor entende de metáforas? Escuta isso, Alfredo! O que é metáfora, seu motorista?
- Metáfora, pelo que eu entendi, é assim: aquilo não é aquilo, mas é como se fosse aquilo. Então, em vez da gente dizer que aquilo é como se fosse aquilo, a gente diz que aquilo é aquilo. Mas não é. É como se fosse. Foi?
- Eu acho que o senhor tá certo, mas na verdade eu estou é chocada com essa libertinagem. Olha aquele homem... que safadeza meu Deus! E de bigode ainda! Escuta isso, Alfredo!
- Escutar o quê, Coisa?
- O que eu estou vendo, gente! Ai, Alfredo, não está vendo? Parece que é cego, não é, motorista?
- Hoje tá até fraco. - Eu falei. - Hoje nem tem os "general"!
- Quem são? Escuta isso, Alfredo!
- General das sapatona é aquelas de coturno que parece mais com um macho do que qualquer coisa. E o outro general é o homem transformista que é a traveca, mas anda é na gillete mesmo.
- Tá ouvindo, Alfredo? A violência e a decadência como estão?
- E a gente vai ter que ficar parado nesta merda, ô Coisa?
- Calma, Alfredo, não fica nervoso! Isso é questão do nível das pessoas. A gente que tem..., não é, motorista?, ... mais condições, temos que entender essa..., essa..., como é que eu digo, meu Deus? Essa...
- Putaria!
Falamos juntos, eu e o tal do seu Alfredo com cara de doutor de num sei de quê.
- Cruzes, Alfredo, não era isso que eu ia... Alfredo, olha aquela moça! Gente, uma menina, dezoito no máximo, e a outra maiorzuda no meio das pernas da coitadinha, fazendo sabe lá o quê!!! Tá vendo, Alfredo, aquela ali? Ali, aquela, Alfredo, em cima do carro! Olha lá, Alfredo, a mão da grandona na menina! Elas vão ser beijar na boca, minha Nossa Senhora...
- Que transitozinho, hein? nunca mais viremos por Botafogo, tá decidido!
- Mas, Alfredo, olha a menina! Tá beijando, tá beijando, tá beijando, Alfredo! Ela parece..., Alfredo, é Gisele! Alfredo! Nossa filha!?
- Filha da puuuutaaa...
E desmaiou o tal doutor, enquanto a jararaca da mulé ventou porta afora de sapato na mão atrás das duas e eu pensando: não quero nem saber, encosto aqui mesmo e espero o resolver, que uma corrida dessa eu não vou perder, que eu não sou bobo e nem sou rico. É ruim de eu ir embora, heim?
Então eu fiquei naquela situação: eu com um cara que era um ex-valente todo desmaiado no banco de trás parecendo uma moça, a mulé saiu pisando forte que nem um general, quer dizer, tudo trocado e eles reclamando da filha. Se eu pudesse, eu ia lá defender a moça, mas não posso, já que o negócio é de família, né?
Eu não tenho preconceito, mas é isso que eu tava falando pra senhora: daqui a gente sabe cada coisa! E é cada um com o seu cada qual.
Texto de Elisa Lucinda. Lido pela Ana no último show feito com Seu Jorge no Tom Brasil. Formidável!
A Ana sempre lê textos dessa escritora e são todos ótimos! Preciso pesquisar mais sobre ela.
Escrito por Pinky às 15h16
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